16 de nov de 2016

Desvendando o tesouro!!!

O  Tesouro Direto  é um programa do Tesouro Nacional de negociação de títulos públicos a pessoas físicas através da internet. É... thumbnail 1 summary
Tesouro Direto é um programa do Tesouro Nacional de negociação de títulos públicos a pessoas físicas através da internet.
É a modalidade de investimento de renda fixa que mais tem crescido nos últimos anos. Tem sido considerada uma opção de investimento de baixo custo e segura, possibilitando o ingresso de pequenos investidores.
O Tesouro Direto é uma das formas que o Governo Federal utiliza para captar recursos para financiar as suas atividades (educação, saúde, investimentos, etc.).
Logo, ao investir no Tesouro Direto, o investidor estará emprestando dinheiro ao Governo Federal.

MODALIDADES DE TÍTULOS DO TESOURO DIRETO
São cinco as modalidades de títulos oferecidos:
  • Tesouro Pré-fixado (LTN): é um título com rentabilidade pré-definida no momento da compra. Assim, ao adquirir um Tesouro Pré-fixado, o investidor já sabe, no ato da compra, qual será a taxa de juros que receberá no vencimento do título como remuneração.
  • Tesouro Pré-fixado com Juros Semestrais (NTN-F): é um título quase idêntico ao Tesouro Pré-fixado. A única diferença é com relação aos pagamentos dos juros. Eles ocorrem semestralmente. E não apenas no vencimento do título.
  • Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal): é um título pós-fixado com rentabilidade vinculada à variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), acrescida de uma taxa de juros. Logo, o investidor só saberá exatamente qual será a rentabilidade que receberá no vencimento. Mais precisamente, no momento em que for divulgado o índice inflacionário do IPCA.
  • Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B): é um título quase idêntico ao Tesouro IPCA+. A única diferença é com relação aos pagamentos dos juros. Eles ocorrem semestralmente. E não apenas no vencimento do título.
  • Tesouro SELIC (LFT): é um título vinculado à taxa SELIC. Possui rentabilidade diária. Ao investir no Tesouro SELIC, o investidor não sabe exatamente qual será a sua rentabilidade ao final do período. Isso porque ela vai depender da variação da taxa básica de juros (SELIC).
O Tesouro Pré-fixado e o Tesouro Pré-fixado com Juros Semestrais são dois títulos bastante indicados para períodos em que a taxa de juros está alta, mas com tendência de recuo. Desta forma, o investidor contrata a sua rentabilidade com base nos juros elevados. Assim, até o vencimento do título, terá seus rendimentos contabilizados com base naquela contratação, ainda que os juros venham a cair.
Já o Tesouro IPCA+ e o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais são indicados para períodos em que há a expectativa de que a inflação aumente. Nos anos de altos índices inflacionários, são esses os títulos públicos que apresentam melhor rentabilidade.
Por fim, o Tesouro SELIC é mais indicado para períodos em que há a expectativa de aumento na taxa SELIC. E a razão é óbvia: a remuneração desse título sempre acompanhará essa taxa.

LIQUIDEZ DOS TÍTULOS DO TESOURO DIRETO

Ao contrário de diversos outros investimentos de renda fixa, todos os títulos do Tesouro Direto podem ser liquidados diariamente. Das 18h00 às 6h00, e a qualquer horário nos finais de semana e feriados. Essa liquidação se dá através da recompra desses títulos por parte do Tesouro Nacional.
Todavia, essa recompra não se dará pelo preço de compra do título. Mas sim pelo preço de venda. E esse preço pode variar de acordo com o mercado, tanto para cima, quanto para baixo.
Se, por um lado, essa volatilidade pode gerar até mesmo rentabilidade negativa em alguns casos, por outro lado, possibilita ao investidor utilizar estratégias para receber além do contratado.
A única modalidade que não apresenta essa volatilidade é o Tesouro SELIC. Por isso, é o título mais indicado para os investidores que podem precisar resgatar o dinheiro investido antes do vencimento.

RENTABILIDADE DOS TÍTULOS DO TESOURO DIRETO

A rentabilidade dos títulos do Tesouro Direto é diária. O investidor também pode consultar seus rendimentos a qualquer momento.
O Tesouro Direto disponibiliza ainda uma calculadora muito interessante que simula os rendimentos dos títulos públicos! Para acessar, clique aqui.

RISCO DOS TÍTULOS DO TESOURO DIRETO

Os títulos do Tesouro Direto não são garantidos pelo FGC – Fundo Garantidor de Créditos.
Todavia, têm a garantia do Tesouro Nacional. E, por isso, são considerados por muitos especialistas como os títulos de renda fixa mais seguros do mercado.

CUSTOS PARA INVESTIR NO TESOURO DIRETO

Os investimentos no Tesouro Direto têm alguns custos:
  • Taxa de custódia: é cobrada pela BM&FBovespa, em razão dos serviços de guarda dos títulos e de informações e movimentações dos saldos. A taxa é cobrada semestralmente. Representa o equivalente a 0,3% do valor dos títulos por ano.
  • Taxa dos agentes de custódia: são taxas cobradas pelos bancos e corretoras. O próprio Tesouro Direto disponibiliza uma tabela com as instituições financeiras habilitadas, e com o valor cobrado por cada uma delas:

Note, que as taxas cobradas pelos agentes de custódia variam bastante. Desde corretoras que não cobram por esses serviços, até bancos que chegam a cobrar 2% do valor dos títulos!
Para saber como melhor escolher uma corretora para investir no Tesouro Direto, clique aqui.

TRIBUTAÇÃO

No momento do resgate dos títulos, incidirá o IR (imposto de renda) sobre a rentabilidade do investimento (e não sobre a totalidade do investimento).
A alíquota do IR varia de acordo com o prazo do investimento. Assim, quanto mais tempo o dinheiro permanece investido, menor é a alíquota do IR:
  • Até 180 dias: 22,5% sobre o lucro auferido.
  • De 181 dias até 360 dias: 20% sobre o lucro auferido.
  • De 361 dias até 720 dias: 17,5% sobre o lucro auferido.
  • 721 dias ou mais: 15% sobre o lucro auferido.
No Tesouro Direto, assim como no caso da grande maioria dos títulos de renda fixa, quanto maior o período de investimento, menor será a alíquota da tributação.

DEMONSTRAÇÃO DOS TÍTULOS DO TESOURO DIRETO

Farei agora uma breve demonstração dos títulos que estão sendo oferecidos no site do Tesouro Direto no momento em que escrevo este artigo:
Pesquisa realizada em 10/05/2016
Os primeiros títulos oferecidos são os indexados ao IPCA.
A primeira coluna indica o nome do título, sempre composto pela sua modalidade e pelo ano do vencimento.
A segunda coluna informa a data de vencimento do título.
A terceira coluna informa a taxa de juros que está sendo oferecida para cada título.
Lembrando que os títulos indexados ao IPCA, além da taxa indicada, terá a variação do IPCA. Exemplo: se o IPCA medir a inflação em 6% ao ano nos próximos 12 meses, o Tesouro IPCA+ 2019 pagará 12,04% (6% do IPCA + 6,04% dos juros oferecidos) neste período.
Os títulos pré-fixados, como o próprio nome sugere, já estão informando as taxas de juros finais que serão pagas.
Já o Tesouro SELIC sempre pagará a taxa SELIC vigente que, no momento em que escrevo este artigo, é de 14,25% ao ano.
Por fim, a quarta coluna de informações indica o valor de cada título. Todavia, tal dado é meramente indicativo, pois o investidor pode comprar mais de um título, assim como pode comprar apenas frações de um título.
Lembro que a consulta acima foi feita na data da edição do artigo. Para ver os títulos públicos oferecidos atualmente, clique aqui.

DICAS

Por fim, algumas dicas que podem ser interessantes para você, ao investir em títulos públicos:
  • Como demonstrado na tabela das instituições financeiras credenciadas, os bancos múltiplos com quem costumamos nos relacionar cobram taxas excessivamente altas para fazer essa intermediação. É muito mais negócio fazer esse investimento por intermédio de uma corretora. Elas prestam o mesmo serviço (ou até melhor) por taxas muito menores (algumas nem cobram taxas).
  • Leve sempre em consideração o fato de que, nem sempre, os títulos públicos oferecem a aplicação de baixo risco mais interessante. Na maioria das vezes, os bancos e financeiras que oferecem CDB e LC que remuneram mais de 100% do CDI. Assim, acabam sendo mais atraentes.
  • A grande vantagem do Tesouro Direto é o fato de permitir ao investidor montar sua carteira de acordo com as suas necessidades. Por isso, considere seus objetivos para escolher em quais títulos investir.
  • O Tesouro Selic é o título do Tesouro Direto que tem menor volatilidade. Assim, se for possível que você precise do dinheiro investido antes do seu vencimento, pode ser mais interessante que os demais. Justamente por isso, é o investimento mais indicado para manter o seu “colchão”, a sua reserva de dinheiro para eventuais situações emergenciais.
  • Já para poupar dinheiro para a aposentadoria, o título mais indicado é o Tesouro IPCA+. Por se tratar de uma situação de longo prazo, o que dificulta fazer uma previsão dos índices econômicos de todo o período do investimento, o investidor estará protegido da inflação, seja qual for sua medição. Terá ainda, uma garantia de ganho real de poder de compra. O ideal aqui, é vincular a data de vencimento do título (o Tesouro IPCA+ são os títulos públicos com opções de datas mais longas de vencimento) com a data projetada para a aposentadoria.

  • Quando os juros estão em alta, o Tesouro Prefixado passa a ser o título mais atrativo do Tesouro Direto. Ao investir nesse título, nessas situações econômicas, o investidor consegue garantir uma taxa de juros atraente para seu investimento durante alguns anos, ainda que a taxa de juros venha a ser reduzida no decorrer do investimento. Neste caso, pode até vender seu título antecipadamente por um preço de mercado maior! Quanto mais longo for o prazo do vencimento, maior será o ágio. Por outro lado, se errar a avaliação e os juros subirem ainda mais, o investidor poderá ter perdas no curto prazo.
  • Para investidores que intentam viver da renda gerada pelos títulos públicos, os mais indicados são os títulos com pagamento de juros semestrais (Tesouro Pré-fixado com Juros Semestrais e Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais). Esses títulos pagam ao titular os juros do investimento a cada seis meses.
  • Destaco que os papéis com pagamento de juros semestrais são indicados apenas para situações especiais, como o caso citado acima. Isso porque, ao “separar” os juros do dinheiro que está investido no título, o investidor deixa de ter o poder dos juros compostos trabalhando ao seu favor.
  • Você não precisa juntar uma grande quantia de dinheiro para investir no Tesouro Direto. A ideia do programa é justamente essa: permitir que as pessoas físicas invistam pequenas quantias de dinheiro conforme os seus rendimentos lhe permitem. Comece já!
Que tal o Tesouro Direto? Simples, não? Se identificou com o investimento? Deixe seu comentário!

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