12 de fev de 2017

A executiva do ano na China que não tirou nenhum dia de férias em 26 anos

A última vez que Dong Mingzhu tirou férias foi em 1991. Presidente de uma das maiores empresas da China, ela foi escolhida pela re... thumbnail 1 summary


A última vez que Dong Mingzhu tirou férias foi em 1991. Presidente de uma das maiores empresas da China, ela foi escolhida pela revista Forbes a executiva do ano do país e há 26 anos não sabe o que é ter um dia livre.
Viúva, a executiva de 62 anos comanda a Gree Electric Appliances, maior fabricante de aparelhos de ar condicionado chinesa, com valor de mercado de US$ 22 bilhões (R$ 68,8 bilhões) e 70 mil funcionários.

'Sem alternativa'

Em suas entrevistas, Dong costuma dizer que "não tem outra alternativa" a não ser continuar na Gree por toda a vida.
As declarações demonstram sua devoção pela empresa em que começou como vendedora e que se tornou um gigante. A cada cinco aparelhos de ar condicionados vendidos na China, dois são da Gree Electric.
Mas a executiva reconhece que esta dedicação teve impacto na sua vida pessoal.
Dong contou à TV chinesa que nunca assistiu às formaturas do filho, desde os primeiros anos na escola até a universidade.
"Para que o mundo seja um lugar melhor, um pequeno grupo de pessoas tem que fazer sacrifícios", declarou na ocasião.

Descanso garantido

Os trabalhadores chineses têm direito a férias. Segundo o site Chinalawblog.com, especializado na legislação do país, todos os empregados que trabalham de maneira contínua durante um ano devem ter férias remuneradas.
Nos primeiros 10 anos de serviço, o funcionário chinês tem direito a cinco dias de férias por ano. O período aumentará gradualmente e chega a até 15 dias anuais para quem estiver há 20 anos ou mais na empresa.
É um período maior do que o previsto nos Estados Unidos, por exemplo, onde a lei federal não garante o direito a férias remuneradas - embora a grande maioria das empresas ofereça dias livres aos seus empregados.

Potência turística

A China vem emergindo como potência global no setor turístico na medida em que seus cidadãos têm uma renda maior e mais tempo disponível para as atividades recreativas dentro e fora do país.
Basta recordar que em maio do ano passado, o grupo chinês Tiens - de biotecnologia e produtos para a saúde - foi notícia na China ao oferecer férias na Espanha para 2.500 dos seus 10 mil funcionários.


De acordo com o jornal britânico The Guardian, o bilionário chinês Li Jinyuan, dono do grupo Tiens gastou o equivalente a US$ 8 milhões (R$ 25 milhões) do próprio bolso para levar os funcionários para passear na Espanha.

A empresa fretou 20 aviões e reservou 1.650 quartos de hotel.
Em 2015, Li Jinyuan havia levado outros 6.400 funcionários para a França.
Mas a executiva Dong Mingzhu está convencida de que o sacrifício da sua vida pessoal se justifica para garantir o bem-estar dos seus milhares de funcionários.
Ela costuma dizer que terá muito tempo para descansar quando se aposentar.

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